“De manhã, Senhor, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando” – Salmo 5:3
DO AGARRAR AO SOLTAR!
Você já foi a um circo? Eu confesso que nunca fui, mas tem algo que eu gostaria de ver de perto um dia: aqueles maravilhosos trapezistas!
Fico sempre emocionado com a coragem desses homens e mulheres. A cada desempenho, eles confiam em que seu vôo terminará em suas mãos deslizando para o aperto seguro das mãos do parceiro.
Há uma grande lição que eles podem nos ensinar com a sua ‘profissão’. Eles sabem que só o ato de soltar-se da barra de segurança permite-lhes voarem com leveza para a próxima. Antes de serem pegos, precisam soltar. Precisam desafiar o vazio do espaço.
Viver com essa disposição para soltar é um dos maiores desafios que enfrentamos. Quer se trate de pessoa, posse ou reputação pessoal, em tantas áreas agarramo-nos a todo custo.
Vivemos num tempo em que somas fabulosas de dinheiro e tecnologia são usadas para entreter as pessoas e mantê-las bem longe do contato com a dor, sofrimento, perdas e angústias.
Queremos Shoppings limpos e seguros para passearmos tranquilos; conforto e saúde para não nos preocuparmos com o futuro; seguros contra roubo, incêndios e tudo mais que for possível para não nos sentirmos ameaçados com o imprevisível.
Tornamo-nos heróicos defensores de nossa felicidade alcançada com tanto empenho. Consideramos nossas perdas inevitáveis como fracassos na batalha da sobrevivência.
De muitas maneiras, ainda não aprendemos que quanto mais insistimos em controlar e quanto mais resistimos ao chamado para segurar com a mão aberta a nossa vida, tanto mais teremos que negar a realidade de nossas perdas.
Essa nossa crença de que devemos segurar com todas as forças aquilo de que precisamos é uma das maiores fontes de nosso sofrimento.
Tudo isso nos leva a uma forma de aprisionamento que nos impede de viver uma vida plena e abundante. Impede-nos de amar, de construir relacionamentos íntimos e verdadeiros e de aceitar as realidades próprias da vida como dádivas de Deus e oportunidades para crescer.
Muitas coisas em nossa vida são obviamente de imensa importância para nós. Não podemos ser completos sem gente para amar e sem gente que nos ame. Necessitamos de comida e um lugar para viver; desfrutamos da companhia de um amigo e do prazer de ler um livro.
Mas segurar com a mão aberta significa lembrar que não somos o que adquirimos e realizamos, mas, sim, o que temos recebido.
Olhe para o exemplo dos discípulos de Jesus. Eles deixaram suas redes, a fonte de sua segurança emocional, para seguir Aquele que prometeu satisfazer os desejos mais profundos do coração.
As mais profundas alegrias não provem do dinheiro que ganhamos, de amigos dos quais nos cercamos, ou de resultados que obtemos.
Somos, realmente, as pessoas que Deus nos fez em Seu infinito amor. Somos os dons que recebemos, não as vitórias que conquistamos.
Enquanto desgastamo-nos, tentando ansiosamente afirmar-nos ou receber afirmação de outros, continuamos cegos para com Aquele que nos amou primeiro, habita em nosso coração e formou o nosso verdadeiro eu.
À medida que fixarmos nossos olhos diretamente nAquele que diz “Não temas”, poderemos, lentamente, abrir mãos dos nossos medos. Iremos aprender a viver num mundo sem fronteiras protegidas zelosamente.
Compreenderemos finalmente que a alegria não é uma questão de festas e balões, de possuir uma casa, ou, mesmo, ter filhos que vão bem na escola. A alegria provém de uma experiência mais profunda: a experiência com Cristo.
Então, e só então, aprenderemos a distinguir dentre tantas vozes, a voz que diz: “Eu amo você, seja você amado ou não por outros. Você é meu. Edifique sua vida em mim!”
A única coisa que você precisa fazer é soltar as mãos de tudo àquilo que até hoje você tem agarrado com tanta força e então estender as mãos e confiar em Jesus.
Confiar que Ele vai agarrar as suas mãos e segurá-las nas boas e piores conjunturas, nos momentos precários e nos momentos em que voamos a grandes alturas.
Extraído e adaptado do livro Transforma meu pranto em dança, de Henri Nouwen – Editora Textus.
Deus te abençoe! Pastor :Sérgio Müller

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